01/06/2026 - 31/07/2026
Com vista à sétima edição da conferência Rumos, que se realiza nos dias 14 e 15 de janeiro de 2027, está aberta uma chamada de trabalhos até 31 de julho de 2026.
A Conferência é organizada pela Secção Temática de Conhecimento,
Ciência e Tecnologia da Associação Portuguesa de Sociologia, em
colaboração com a Secção Temática Economia Política da Ciência e da
Tecnologia da Associação Portuguesa de Economia Política, e será
subordinada ao tema O papel dos estudos de ciência e tecnologia na imaginação e (re)configuração de futuros democráticos
Nos últimos anos, a intensificação das forças autoritárias,
nacionalistas e antidemocráticas em diferentes geografias tem sido
concomitante com transformações profundas e céleres ao nível da ciência e
tecnologia. A crescente influência e relevância das infraestruturas
digitais, da governação algorítmica, do capitalismo de vigilância e a
omnipresença das biotecnologias e da inteligência artificial em vários
domínios sociais remodelou não só a vida quotidiana, mas também as
condições em que a democracia é vivida, desafiada e contestada. Estas
mudanças
desafiam os cientistas sociais e, mais particularmente, os
investigadores dos estudos sociais de ciência e tecnologia, a examinar
criticamente as relações e as ambivalências entre os desenvolvimentos
tecnocientíficos e sociotecnológicos e a ascensão de projetos políticos
autoritários e populistas assentes em lógicas de exclusão. Esta
conferência tem, portanto, como objetivo: 1) repensar as contribuições
dos estudos sociais de ciência e tecnologia e o seu potencial crítico
para questionar tendências associadas à dominação, à violência e ao
autoritarismo; 2) debater formas de resistência e de oposição a estas
dinâmicas; 3) articular visões para projetos emancipatórios que visem
restaurar justiça e democracia; e 4) promover a investigação em estudos
sociais de ciência e tecnologia sobre o conhecimento, a ciência e a
tecnologia em todos os domínios temáticos.
A conferência acolhe contribuições que explorem estes objetivos em
temáticas como o clima e a biodiversidade, a habitação, o trabalho, a
saúde, a educação, a migração, a segurança social, o Estado social, a
arte,a política, o debate público, a segurança e a guerra. Convidamos,
assim, académicos e profissionais interessados nestes temas,
provenientes de diversas áreas, incluindo os estudos sociais da ciência e
da tecnologia, a sociologia, a antropologia, as ciências políticas, a
geografia humana, a história, a filosofia, os estudos de comunicação e
meios de comunicação social e a economia política. São bem-vindas
submissões de artigos teóricos e empíricos. Pretende-se promover o
diálogo entre diferentes áreas temáticas e disciplinares, contribuindo
não só para os debates académicos, mas também para discussões sociais e
políticas mais amplas sobre o papel dos estudos sociais de ciência e
tecnologia na imaginação e (re)configuração de futuros democráticos.
Entre outros temas centrados no conhecimento, na ciência e na tecnologia, os tópicos em discussão são:
● De que forma os valores democráticos e os direitos cívicos estão em
risco devido às infraestruturas digitais, à governação algorítmica, ao
capitalismo de vigilância e à omnipresença das biotecnologias e da
inteligência artificial em vários domínios sociais (incluindo o
trabalho, a saúde, o ambiente, a migração, o controlo da criminalidade, a
política e o debate público, o ambiente, o antropoceno, as artes, entre
outros)?
● De que forma a própria democracia se torna contestada através destes desenvolvimentos?
● Como pode a democracia ser reconfigurada e impulsionada pelas atuais transformações sociotecnológicas?
● De que forma a ciência e a tecnologia são contestadas, por um lado, e
mobilizadas, por outro, por forças autoritárias e antidemocráticas? Que
contestações, controvérsias e políticas emergem em torno destes
desenvolvimentos?
● Em que condições a ciência e a tecnologia são mobilizadas para o avanço dos valores democráticos e dos direitos cívicos?
● Como é que especialistas, profissionais, cidadãos e pessoas
marginalizadas resistem, reconfiguram ou reivindicam a ciência e as
tecnologias para fins de democracia e justiça?
● Que ferramentas teóricas, metodológicas e conceptuais oferecem os
estudos sociais da ciência e da tecnologia — em diálogo com outras
vertentes académicas críticas, tais como
os estudos feministas, pós-coloniais, dos movimentos sociais e de
economia política — para analisar e compreender estas dinâmicas
contemporâneas?
● Como podem os académicos dos estudos sociais da ciência e da
tecnologia lidar com a tensão entre a reflexividade crítica e o risco de
minar a confiança do público na ciência?
Formato da conferência
Com o objetivo de reforçar e enriquecer a qualidade da reflexão e do
debate em torno dos trabalhos, solicitamos aos autores que partilhem
antecipadamente versões preliminares dos seus trabalhos e pedimos aos
participantes que interajam com os textos uns dos outros. As versões
submetidas serão partilhadas entre os participantes e cada contribuição
terá um comentador responsável por fornecer feedback construtivo,
levantar questões críticas e facilitar a discussão durante a sessão.
Este formato foi concebido para apoiar artigos em fase de
desenvolvimento no seu processo de publicação, contribuindo
simultaneamente para a consolidação da comunidade
de estudos sociais de ciência e tecnologia.
Calendário
31 de julho de 2026 | Prazo para envio de resumos
1 de setembro de 2026 | Notificações de aceitação
30 de novembro de 2026 | Prazo para inscrições
30 de novembro de 2026 | Prazo para envio das versões completas dos artigos
14-15 de janeiro de 2027 | Conferência (Braga)
Orientações para o envio de resumos
● Os resumos não devem exceder 300 palavras.
● Os resumos devem delinear claramente a(s) questão(ões) de
investigação, a abordagem metodológica e as principais conclusões ou
contribuições esperadas.
● As submissões devem incluir:
○ Título do artigo proposto (máximo de 15 palavras).
○ Nome(s) do(s) autor(es), afiliação(ões) institucional(is) e e-mail(s) de contacto.
○ 4–6 palavras-chave.
● Os resumos podem ser submetidos em português ou inglês.
As propostas devem ser submetidas aqui