sexta-feira, 02/08/2024
Campus de Gualtar, Braga
Permite a análise em 3D a partir da ecocardiografia 2D e assim um diagnóstico mais completo
Uma
equipa do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da
Universidade do Minho criou um software que converte a ecocardiografia de duas
para três dimensões, o que pode vir a ser
decisivo para avaliar doentes na urgência e nos cuidados intensivos. A
inovação agrega cinco vistas cardíacas em 2D para formar uma em 3D, de forma
simples e acessível. Os cientistas fizeram
os testes com imagens simuladas e incidem agora em casos reais. Espera-se que
este software possa ser adotado na prática clínica de hospitais, centros
médicos e laboratórios em geral.
O software foi anunciado na revista científica Medical
Image Analysis e tem a autoria de Sandro Queirós, João Freitas, João
Fonseca e Jorge Correia Pinto, todos do ICVS da Escola de Medicina da UMinho,
com a parceria de Jaime Fonseca, do Centro Algoritmi da Escola de Engenharia da
UMinho, e Claudia Tonelli, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Brasil.
O
ecocardiograma é muito utilizado para diagnosticar problemas cardíacos.
Trata-se de um exame seguro e não invasivo que usa ondas de som (ultrassons)
para criar imagens em 2D do coração, como a forma, o tamanho, o movimento das
paredes e o fluxo de sangue nas suas válvulas e câmaras. A visão tridimensional
do ecocardiograma vai permitir detalhar a anatomia e a ação do coração, nomeadamente
eventuais problemas.
Para
os cientistas da UMinho, o novo software (que apelidam de focused cardiac
ultrasound, FoCUS) é essencial para uma avaliação rápida das estruturas
cardiovasculares e da função cardíaca à cabeceira do doente, sobretudo em
contextos críticos. Consideram que, atualmente, a maioria das unidades de saúde
realiza ecocardiografias com equipamentos de qualidade média, com limitações no
número de vistas adquiridas e que está dependente da experiência dos
operadores, o que pode resultar numa avaliação essencialmente qualitativa da
situação do doente.
“A
nossa ferramenta supera estas limitações e explora o potencial de todas as
vistas cardíacas num mesmo espaço tridimensional”, explica Sandro Queirós. João
Freitas realça que os testes preliminares da equipa em dados sintéticos
realistas validaram a eficácia desta abordagem e as técnicas 3D foram uma
melhoria significativa face aos métodos
geométricos bidimensionais utilizados na prática clínica.
+Info: www.med.uminho.pt, icvs.uminho.pt/icvs-innovation-improves-assessment-of-cardiac-patients, algoritmi.uminho.pt