Contextualização
Will Samson está morto. Foram estas as palavras que ressoaram durante seis horas numa cerimónia de ayahuasca, em abril de 2024. Depois de muitos anos de investigação e ponderação, Will Samson participou nesta tradição praticada pelos povos da Amazónia há centenas de anos. Longe da romantização ocidental desta prática, para o britânico – com raízes no Chile e no Bengal ocidental, e a infância passada na Austrália – esta experiência foi bastante sombria e aterradora. Entre visões, lembra conversas com o seu falecido pai, memórias de infância e o momento em que é levado ao próprio funeral. Com discos lançados com selo da Wichita Recordings ou 12k e concertos ao lado de Ólafur Arnalds, Kurt Vile ou Efterklang, Samson dedica-se a investigar os espaços entre a folk e a eletrónica. A sua música tem um lado quase espiritual, manifestado anteriormente em "Active Imagination" (2022). Esta espiritualidade ganha uma nova dimensão após o ritual psicadélico a que se submeteu.
A recuperação e incorporação do que viveu estenderam-se ao longo de um ano e meio. Isolado numa vila alentejana, Samson escreveu e gravou um novo álbum enraizando-se em sons orgânicos de ramos, rochas, pincéis e copos de vidro. As
tape machines, que o acompanham há vários anos, regressam para fazer a ponte entre o acústico e o eletrónico. As letras, outrora enigmáticas, cantam agora uma visão crua e vulnerável de si mesmo. E assim nasceu "Sings Again" (2026), disco editado a 22 de maio e apresentado ao ar livre, no pátio exterior do gnration, num concerto com visuais preparados pelos estudantes do mestrado em Media Arts da UMinho.