quinta-feira, 18/06/2026
Lisboa
Clara Lemos recebe a 18 de junho o prémio nacional Eduardo da Cunha Serrão, em Lisboa, pelo seu estudo sobre paisagens rurais.
Clara Lemos, formada
pela Universidade do Minho, recebe a 18 de junho o Prémio Eduardo da Cunha
Serrão, que distingue a melhor tese de mestrado em Arqueologia realizada em
Portugal em 2025. A cerimónia decorre às 18h00, no Museu do Carmo,
em Lisboa, com a presença de José Arnaud, presidente da Associação dos
Arqueólogos Portugueses, promotora da iniciativa. O galardão também veio há um
ano para a UMinho, laureando Luís Coutinho.
Clara Lemos tem agora
direito a ver a sua dissertação, “Arqueologia Agrária no Extremo (Arcos de
Valdevez): Materialidade e Documentação (séculos XVII a XIX)”, editada em livro
e a um valor monetário de 1500 euros. O seu trabalho
mostra como a melhor estratégia para a análise e gestão das
paisagens rurais e culturais requer perspetivas transdisciplinares, em especial
da arquitetura, história, etnografia e arqueologia.
“Estou feliz pelo
prémio, esta investigação deu-me muito gosto e dediquei-me imenso, pois acredito que vale a pena trazermos o
prazer do dia a dia nas áreas em que trabalhamos, enriquecendo-o com a parte
científica e contribuindo assim para a nossa sociedade”, sorri Clara
Lemos. O seu estudo foi orientado por Rebeca Blanco-Rotea e Francisco
Azevedo Mendes, no Instituto
de Ciências Sociais da UMinho.
A pesquisa envolveu o
Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT/IN2Past), a Unidade de Arqueologia da UMinho e os
projetos europeus Cultur-Monts e Rurarq, com apoio do programa Interreg.
Destacou-se também a parceria com o município arcuense e a União de Freguesias
de Portela e Extremo, cuja comunidade “abriu as portas das suas casas, rotinas
e memórias, permitindo analisar os espaços rurais como parte do nosso passado,
presente e futuro”. As fontes materiais e orais ajudaram a aferir práticas
agrícolas, tradições, topónimos (vias, moinhos, canais de água), delimitações,
socalcos e sementes antigas, entre outros vestígios, alargando o olhar
multissecular.
Clara Lemos nasceu e
vive há 49 anos em Barcelos. Tem a licenciatura em Arquitetura pela
Universidade de Coimbra, uma especialização em Planeamento Urbano pela
Universidade de Aveiro e o mestrado em Arqueologia pela UMinho. Exerceu como
arquiteta no Município de Vila Nova de Famalicão e, atualmente, exerce no Município de
Barcelos, colaborando também ao nível da arqueologia.
“A
minha experiência profissional foi fulcral no mestrado, porque ampliou
horizontes, potenciando o meu conhecimento e a interpretação dos dados”,
realça, para concluir: "Numa paisagem profundamente agrária, o processo assentou numa
perspetiva interdisciplinar que cruzou a
materialidade arqueológica presente no território do Extremo, os
registos documentais dos séculos XVII ao
XIX e testemunhos orais da
comunidade local, procurando compreender os processos de evolução
fundiária e arquitetónica, decorrentes da
adaptação às culturas, das partilhas de heranças e da evolução tecnológica, permitindo
construir uma leitura diacrónica da paisagem".