quinta-feira, 01/10/2026
Investigadores apresentam este mês palestras, painéis interpretativos, uma unidade didática e um guia digital sobre as estruturas da Guerra da Restauração
A Universidade do Minho
vai desenvolver, durante outubro, um programa educativo sobre o património das
paisagens fortificadas da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés,
dirigido a alunos de ambos os lados da raia. Prevê-se sete sessões em escolas galegas e uma em Portugal, uma unidade didática
bilingue com conteúdos e atividades adaptados ao ensino básico e ao ensino secundário, dois painéis
interpretativos e ainda um guia digital de acesso livre sobre as fortificações
nesta fronteira e os vestígios da Guerra da Restauração (1640-1668).
O projeto será desenvolvido desde a Unidade de
Arqueologia da UMinho e o Laboratório de Paisagem, Património e Território
(Lab2PT/IN2Past), sob a coordenação de Rebeca-Blanco-Rotea. A equipa científica
junta ainda Jorge Correia, da Escola de Arquitetura, Arte e Design da UMinho;
Helena Carvalho, Alexandra Esteves e Diego Machado, do Instituto de Ciências
Sociais e do Lab2PT; e Maria Gloria Solé, do Departamento de Estudos Integrados
de Literacia, Didática e Supervisão e do Centro de Investigação em Educação.
As
palestras vão ser ministradas num centro escolar de Arcos de Valdevez e em escolas
primárias de Bande, Os Blancos, Entrimo, Lobios e Muíños, além do instituto de
Bande. Em cada sessão de 50 minutos e com um colóquio subsequente vai detalhar-se
a construção daquelas fortificações, interpretar os vestígios e compreender a
configuração da paisagem atual, entre outros aspetos.
A equipa da UMinho irá também criar uma unidade didática específica, em galego e português, com cerca de 400 cópias a
distribuir nos centros escolares e com acesso prévio aos docentes para
trabalharem o conteúdo nas aulas antes das palestras. Prepara-se igualmente
dois painéis interpretativos portáteis e bilingues, um com a visão geral das
fortificações da Idade Moderna no atual Gerês-Xurés e outro com os seus
vestígios existentes no território. Vai ser ainda publicado um guia online
informativo, para todos os cidadãos acederem a este património
histórico-cultural.
Sustentabilidade cultural
“É importante transmitir o
conhecimento de forma adaptada às crianças, como nos conceitos de ‘fronteira’ e
‘guerra’, e apostar na ciência cidadã, na educação patrimonial e na
sustentabilidade cultural”, disse Rebeca Blanco-Rotea na apresentação da iniciativa, em
Ourense. Por sua vez, Jorge Correia destacou a cooperação transfronteiriça no
projeto e “o desafio de transmiti-lo a diferentes públicos com as ferramentas
pedagógicas mais avançadas".
O vice-presidente do
Conselho Provincial, Plácido Álvarez, notou que este património único e da
história comum da Galiza e de Portugal é desconhecido da maioria da população:
“Queremos que as novas gerações entendam o valor histórico, cultural e
paisagístico dos vestígios e sejam agentes ativos na sua conservação,
disseminação, valorização e sentido de pertença”.
Durante a Guerra da
Restauração houve muitas fortificações construídas ou reabilitadas ao longo da
raia luso-galega, destacando-se vestígios como os fortes
em Arcos de Valdevez, os castelos de Montalegre e de
Araújo, a Piconha ou a torre de Sande. A Reserva da Biosfera Gerês-Xurés,
reconhecida pela UNESCO, é uma área de montanha que cruza cinco concelhos do
Norte de Portugal (Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca,
Terras de Bouro) e seis da Galiza (Bande, Calvos de Randín, Entrimo, Lobeira,
Lobios, Muíños).