quarta-feira, 23/09/2026
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Luís Miguel Loureiro escreveu o Artigo do Ano da principal revista mundial da área dos estudos em Escuta
Luis Miguel Loureiro,
investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade de
Minho, foi distinguido pela International Listening Association (ILA) como
autor do melhor artigo publicado em 2025 na International Journal of Listening, a principal revista científica mundial de estudos sobre Escuta.
O argumento central do artigo laureado desenvolve-se a partir da
noção de que, no ecossistema comunicacional contemporâneo, a Escuta se torna,
não só, essencial à própria existência da comunicação, mas um imperativo ético,
uma vez que a saturação ruidosa do visível, a velocidade e o frenesim da
experiência social, encapsulam o indivíduo e constituem um bloqueio a uma comunicação
que produza significado, diferença e relação com o outro.
O prémio foi atribuído
pela primeira vez nos quase 40 anos da International Journal of Listening,
editada pela ILA e que faz parte do vasto portefólio de revistas científicas do
grupo Routledge/Taylor & Francis. A revista integra o nível mais elevado de
indexação Scopus, encontrando-se no primeiro quartil da escala global de
referenciação, na área da Comunicação – um dos indicadores mais utilizados na
medição da qualidade da ciência produzida à escala global.
O júri do conselho
editorial da International Journal of Listening – formado por 40
investigadores de universidades espalhadas pelos cinco continentes, das
Américas à Europa, da Oceânia à Ásia e a África – avaliou todos os trabalhos do
último ano nesta publicação, destacando “Toward an Understanding of Listening
as Ethics”, de Luís Miguel Loureiro, “pelo contributo inovador no avanço da
pesquisa em Escuta”.
Ruído bloqueia compreensão
da diferença e do outro
O artigo parte da
teoria dos sistemas do sociólogo Niklas Luhmann e de duas experiências de
silêncio e de ruído, para propor que, num mundo comunicacionalmente afundado no
ruído, na intensidade e na aceleração, as práticas de Escuta se tornam
decisivas para a própria comunicação. “O problema não é apenas som e informação
em demasia, mas um ambiente que fecha o sujeito na sua subjetividade e bloqueia
o acesso ao significado dos acontecimentos e à diferença”, nota Luís Miguel
Loureiro.
“Escutar deixa de ser um mero complemento da comunicação, para se
transformar num ato decisivo, criador da própria instância comunicacional,
por isso, um ato com profundas consequências éticas, sociais e políticas, no
qual o sujeito-ouvinte é, verdadeiramente um sujeito político, um sujeito de
ação ligado ao mundo e ao outro”, diz.
Nota biográfica
Luís Miguel Loureiro
tem 57 anos e é natural da Gafanha da Nazaré, no distrito de Aveiro. Inicialmente
licenciado em Bioquímica, em Coimbra, em 1992, concluiria, vinte anos depois, o
doutoramento em Ciências da Comunicação, na UMinho, onde é atualmente professor
no Departamento de Ciências da Comunicação do Instituto de Ciências Sociais, sendo diretor da
licenciatura em Ciências da Comunicação. Acumula estas funções com as de
investigador integrado do CECS e membro da equipa de coordenação do Barómetro
para a Qualidade da Informação da UMinho.
Além do trabalho recente na área dos
estudos da Escuta, os seus interesses de investigação têm vindo a
desenvolver-se em torno da interseção entre jornalismo de guerra e propaganda,
ativismo em rede e cultura visual. Antes da carreira académica, foi jornalista
durante três décadas, fundando a Rádio Terra Nova, na Gafanha da Nazaré,
e passando depois pelas redações da Rádio Nova, da Rádio Comercial
e, principalmente, da RTP, onde foi grande repórter e jornalista de
investigação premiado (UNESCO, AMI, SPA). Para manter a ligação ao jornalismo,
passou este ano a dirigir, pro-bono, o novo jornal digital De Norte a
Sul.