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UMinho leva às escolas o património fortificado da fronteira entre Portugal e Galiza Voltar

quinta-feira, 01/10/2026   
Carlos Leiro, Plácido Álvarez (Deputación de Ourense), Rebeca Blanco-Rotea e Jorge Correia (UMinho) (foto: Deputación de Ourense)
Investigadores apresentam este mês palestras, painéis interpretativos, uma unidade didática e um guia digital sobre as estruturas da Guerra da Restauração
A Universidade do Minho vai desenvolver, durante outubro, um programa educativo sobre o património das paisagens fortificadas da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés, dirigido a alunos de ambos os lados da raia. Prevê-se sete sessões em escolas galegas e uma em Portugal, uma unidade didática bilingue com conteúdos e atividades adaptados ao ensino básico e ao ensino secundário, dois painéis interpretativos e ainda um guia digital de acesso livre sobre as fortificações nesta fronteira e os vestígios da Guerra da Restauração (1640-1668).

O projeto será desenvolvido desde a Unidade de Arqueologia da UMinho e o Laboratório de Paisagem, Património e Território (Lab2PT/IN2Past), sob a coordenação de Rebeca-Blanco-Rotea. A equipa científica junta ainda Jorge Correia, da Escola de Arquitetura, Arte e Design da UMinho; Helena Carvalho, Alexandra Esteves e Diego Machado, do Instituto de Ciências Sociais e do Lab2PT; e Maria Gloria Solé, do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão e do Centro de Investigação em Educação.

As palestras vão ser ministradas num centro escolar de Arcos de Valdevez e em escolas primárias de Bande, Os Blancos, Entrimo, Lobios e Muíños, além do instituto de Bande. Em cada sessão de 50 minutos e com um colóquio subsequente vai detalhar-se a construção daquelas fortificações, interpretar os vestígios e compreender a configuração da paisagem atual, entre outros aspetos.

A equipa da UMinho irá também criar uma unidade didática específica, em galego e português, com cerca de 400 cópias a distribuir nos centros escolares e com acesso prévio aos docentes para trabalharem o conteúdo nas aulas antes das palestras. Prepara-se igualmente dois painéis interpretativos portáteis e bilingues, um com a visão geral das fortificações da Idade Moderna no atual Gerês-Xurés e outro com os seus vestígios existentes no território. Vai ser ainda publicado um guia online informativo, para todos os cidadãos acederem a este património histórico-cultural.


Sustentabilidade cultural


“É importante transmitir o conhecimento de forma adaptada às crianças, como nos conceitos de ‘fronteira’ e ‘guerra’, e apostar na ciência cidadã, na educação patrimonial e na sustentabilidade cultural”, disse Rebeca Blanco-Rotea na apresentação da iniciativa, em Ourense. Por sua vez, Jorge Correia destacou a cooperação transfronteiriça no projeto e “o desafio de transmiti-lo a diferentes públicos com as ferramentas pedagógicas mais avançadas".


O vice-presidente do Conselho Provincial, Plácido Álvarez, notou que este património único e da história comum da Galiza e de Portugal é desconhecido da maioria da população: “Queremos que as novas gerações entendam o valor histórico, cultural e paisagístico dos vestígios e sejam agentes ativos na sua conservação, disseminação, valorização e sentido de pertença”.

Durante a Guerra da Restauração houve muitas fortificações construídas ou reabilitadas ao longo da raia luso-galega, destacando-se vestígios como os fortes em Arcos de Valdevez, os castelos de Montalegre e de Araújo, a Piconha ou a torre de Sande. A Reserva da Biosfera Gerês-Xurés, reconhecida pela UNESCO, é uma área de montanha que cruza cinco concelhos do Norte de Portugal (Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca, Terras de Bouro) e seis da Galiza (Bande, Calvos de Randín, Entrimo, Lobeira, Lobios, Muíños).
Carlos Leiro, Plácido Álvarez (Deputación de Ourense), Rebeca Blanco-Rotea e Jorge Correia (UMinho) (foto: Deputación de Ourense)
Carlos Leiro, Plácido Álvarez (Deputación de Ourense), Rebeca Blanco-Rotea e Jorge Correia (UMinho) (foto: Deputación de Ourense)
Forte de Bragandelo e lugar do Extremo, Arcos de Valdevez (foto: José M. Costa-Garcia)